17/08/2010

Ponto K


Sou uma mulher de 35 anos... (quem ainda não sabe? Risos...) Sou intensa em tudo que faço e, especialmente, em tudo que sinto. E hoje, decidi falar sobre este espaço que já me concedeu tanto.

A decisão de ter um blog veio do acaso virtual. Vim para esse mundo através do convite do meu provedor. Não sabia direito o que era um blog e criei um. O Ponto K é meu terceiro blog, é uma versão nova, uma repaginada no antigo Espaço Ká. Além dele, também escrevi junto com amigos mafiosos e bons de escrita, três blog-novelas: A Mansão Shutz, O Reino de Lothian e a Teia Digital.

A princípio, postava mensagens de outros autores, todas devidamente creditadas. Aos poucos, fui perdendo o receio e comecei a postar textos meus, sobre o dia-a-dia, sobre a minha vida, sobre a faculdade, sobre os meus pensamentos, política, esporte...

Tudo isso começou a fazer um certo sucesso. Ganhei duas vezes o título de Blog LEGAL do UOL e no auge dos tempos áureos recebia 80 a 100 visitas diárias, visitava e comentava outros tantos blogs, o que era super difícil, apesar de imensamente prazeroso.

Através do diário virtual, vivi muita coisa, visitei países, culturas diversas, conheci inúmeras pessoas, aprendi a respeitar opiniões diferentes, aprendi que nem tudo é do jeito que eu penso e ainda assim é possível conviver na distinção, criei coragem para me indignar diante das injustiças, desabafar quando triste e gritar ao mundo as minhas verdades.

Aqui, falei da minha vida, dos meus medos, dos meus anseios, das minhas dificuldades, das minhas alegrias, dos meus sentimentos. Dividi com as pessoas sete anos de minha vida: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010. Alguns desses anos foram marcados intensamente pela dor da perda de pessoas queridas: 2004 e 2006, morreram minha cunhada e meu marido, respectivamente.

Por aqui, muitas pessoas puderam ver que não sei lidar com a separação. Viram meu desespero ao me ver separada do homem que mais amei na vida. Mas também perceberam o quanto cresci. O quanto amadureci. E quem sabe, poderão ver o quanto ainda tenho que aprender nessa insólita vida.

Nesse espaço, partilhei com vocês sete dos nove anos do meu filhote, meu lindo, minha vida, minha vontade de viver e a pessoinha que mais me ensina a carregar em mim o dom de SER capaz e SER feliz.

Abandonei o blog quando não me apetecia escrever ou quando estava muito feliz ou muito triste. Contudo, sempre voltei. Fiz deste espaço o meu reencontro comigo mesma. Lancei palavras, fiz auto terapia, descrevi meus amores e também minhas dores. Falei de algumas pessoas que me magoaram, falei de outras que me fizeram feliz, compartilhei meus ideais com a internet, divaguei por várias nuances, vivi a vida em preto em branco e pintei o mundo em várias cores, e, principalmente ,vibrei em azul e vermelho.

Descobri no Ponto que não sou dona da verdade. Até mesmo porque verdades absolutas são duvidosas. Aqui me vejo como sou. Uma pessoa. Um ser humano como outro qualquer. Repleta de qualidades. Cheia de defeitos. Alguém que não tem a pretensão de ser melhor do que ninguém. E definitivamente, alguém que também não é pior do que absolutamente ninguém. Ao passo que sou mais um coração batendo no mundo, sou também um cérebro que respeita o que não é igual.

Ganhei muito aqui. Ganhei amigos(as). Alguns são amigos até hoje. Conheci pessoas. Viajei. Conheci o Rio de Janeiro. Penedo. Rezende. Petrópolis. Três Rios. Paraíba do Sul. Itaipava. Três Corações. Taubaté. Aparecida. Juiz de Fora. Montes Claros. São José dos Campos. Campos do Jordão. Ubatuba...

Vi o CRISTO REDENTOR e emocionei-me com a beleza mágica da cidade maravilhosa... chorei de uma emoção ímpar aos pés de NOSSO SENHOR. Passeei pela Rodrigo de Freitas e vi o quanto a natureza nos coloca em contato com o Sagrado.

O blog me trouxe tudo isso. Vida. Amigos. Alegrias. Aprendizado. Reflexão. Auto-conhecimento. Por tudo isso, sou grata a este espaço abençoado.

Percebi no Ponto que, sem dúvidas, ninguém pode dar aquilo que não tem. Ninguém pode proporcionar felicidade ao outro se não se sentir feliz... se não experimentar a sensação de SER feliz. Os sentimentos não podem ser vistos com os olhos e nem tocados com as mãos. São essenciais e, portanto, invisíveis aos olhos.

Existem, hoje em dia, ainda muitas pessoas capazes de oferecer bons sentimentos que tratam-se de preciosidades e não existem preciosidades falsas. O que precisamos é aprender a senti-los com o coração, sem tentarmos, o tempo todo decifrar os sentimentos com nossa racionalidade, com a nossa capacidade de entendimento.

Os sentimentos são como sementes e a nossa alma é como um jardim, precisamos começar a plantar sentimentos dentro de nós, precisamos cultivá-los, alimentá-los e, sobretudo, observarmos o que temos plantado.

Meus pais plantaram amor em mim desde o momento em que desejaram minha concepção e eu nasci desse amor, sou esse amor e vivo porque amo, amo a vida, apesar de sofrida, apesar dos obstáculos e olha que não são poucos, quando menos espero sempre aparece uma pedra, uma situação que me desarma e abala completamente; amo minha família, exatamente do jeito que é, com seus defeitos, inclusive; amo meu trabalho, amo ser quem sou, consciente claramente que sou apenas mais uma pessoa nesse mundão de DEUS, uma pessoa que trabalha para realizar seus sonhos, uma pessoa que é uma eterna aprendiz.

Nem todo mundo tem que pensar como eu. Nem todo mundo que entra aqui e me lê anonimamente ou não, tem que comungar das minhas opiniões. Agora, sem exceções, todo mundo que entra aqui ou em qualquer outro blog deve respeitar. Discordar é normal, coerente e muito natural. É o que faz o mundo girar e as pessoas refletirem e mesmo, mudar de opinião.

Este espaço é democrático. recebe a todos de braços abertos. Leia. Só navegue. Leve a sério. Leve na brincadeira. Pense que tudo aqui é balela. Ache tudo ridículo. Identifique-se com alguma coisa. Não goste de nada. Comente. Não comente. Deixe sua apreciação. Positiva ou negativa. Saia sem falar nada. Enfim, faça aquilo que melhor lhe aprouver. Sinceramente, sua visita é bem vinda. Toda visita o é. Contudo e entretanto, te peço humildemente, não transforme o Ponto em ponto de discórdia.

O Ponto é uma extensão dos meus pensamentos. É o meu jeito de me defender de mim e do mundo. É a minha maneira de mostrar-me ou ocultar-me diante das adversidades. É onde brinco de escrever, deixo as letras correrem soltas, viajo em prosa, ora faço versos. É onde brindo à vida e à alegria e choro minhas tristezas. Enfim, só te peço respeito, pois acima de tudo, o Ponto é MINHA vida. E dela, quem deve gostar sou eu. Apenas eu.

13/08/2010

Inevitável



Na grande maioria das vezes, somos totalmente incapazes de notar as bênçãos que recebemos. DEUS tem um modo muito singular para nos alimentar espiritualmente e nem nos damos conta disso.



Na ânsia de querer tudo sempre à mão, no tempo e na hora em que escolhemos, perdemos grandes chances de sermos mais felizes. Tudo, tudo tem absolutamente seu tempo certo na vida. E é muito triste quando não entendemos que o tempo de “deixar ir”, “deixar sair de si” é o melhor remédio para saciar a sede da alma.

Se eu, na minha humilde tentativa de escrever, pudesse plagiar alguém, ousaria citar as palavras perfeitas de Florbela Espanca: “o meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!”

Minha alma é vasta. Meu corpo carrega marcas muito além dos meus 35 anos. Sim, sou intensa! Minha intensidade ora encanta, ora assusta. (Pior ou melhor para você!) Meu pensamento é amplo. Escuto muito além do que me dizem. Sou exigente, quero sempre o melhor. Meu mundo é completamente distinto dos demais. É único. No meu peito, em alguns momentos, arde uma angústia antiga, datada não do meu nascimento, mas de épocas bem mais remotas. Meus sorrisos são magnânimos. Abrangem o infinito e percorrem densamente a retina daqueles que conseguem me ver de verdade. Exalto aos céus meus sentimentos e calo meus medos ilógicos. Não tenho medo de ser vista como louca, ou de fazer algo que não combina com o raciocínio comum. Nesse tsunami de ser eu, me perco na saudade de um tempo ido ou ainda por vir...

Com as decepções vamos calejando nosso coração. Proteger-nos do tudo e do nada, parece então, a melhor solução. Ao passo que, a vida toma as rédeas e mostra caminhos tão impressionantes e ao mesmo tempo tão inseguros, podemos concluir que toda a experiência que temos nunca será suficiente o bastante para nos manter, de fato, protegidos de novos dissabores.

Nesse exato momento, quando estamos acuados, é necessário dar um tempo. Ficar só. Ouvir o próprio coração. Aprender a reconhecer o seu ritmo ou a mudança deste. A verdade nem sempre é perfeita, mas sem dúvida alguma, precisamos encará-la ou o tombo será em proporções maiores e inevitavelmente mais doloroso.

As feridas deixam marcas profundas, envelhecem a tez, mas, em contrapartida engrossam as fibras do ser. É através delas que podemos ver que onde você envergava o sol, havia nuvens pesadas. Onde você via o perdão, havia remorso apenas. Onde você colocava doação, reinava o egoísmo. E o que é mais triste, onde você acreditava ter o amor, só restava vaidade.

Fica irresistível não sofrer com tudo isso. Restam apenas dois caminhos a seguir. Desistir e recomeçar. Insistir, perder a dignidade e sofrer mais. Ou você escolhe um. Ou você escolhe outro. É aí que é importante ver a sutileza da Mão de DEUS nos dando uma dica, um aviso, um sinal de alerta: Opa, filho(a), você é minha melhor criação, vai se dar conta disso ou vai seguir atrás das promessas vãs?

Afinidade não é sinônimo de carinho. Sintonia não rima com respeito. Prazer por prazer não tem nexo. E nem faz bem à pele. Definitivamente, não! As oportunidades foram todas dadas. Tecer sonhos irreais é doentio. Manter o olhar preso às magoas do passado não é a solução adequada.

Naufragar o navio parece meio radical, trágico, doloroso, cruel... e fundamental. Não salve nada. Não vale a pena levar na bagagem resquícios do que se foi. Engula em seco. Respire lenta e profundamente. Sufoque o amor lá dentro. E quando o vir afundando e sendo engolido pelas águas, grite intensamente um belo e sonoro: ADEUS!

Não posso lhe garantir que será indolor. Seria leviano de minha parte. Mas, asseguro que com o passar dos dias a dor se torna mais leve, mais leve e mais leve... até deixar de existir e você poder olhar para isso tudo e tão somente ensaiar um sorriso tímido que vai se transformar numa estrondosa gargalhada que te mostrará que está pronto para mais uma grande aventura humana e espiritual.

Quando o medo de tentar de novo quiser lhe fazer recuar, lembre-se que “faz parte da condição humana errar de vez em quando” e quando tudo o mais não dá resultado ELE nos carrega carinhosamente em SEU colo.

Beijos muitos e até logo!



"Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente."

12/08/2010

Caleidoscópica


Quando criança, era feliz. Feliz por viver em uma família “normal”. Feliz por ter ao toque da mão, o pai, a mãe, os irmãos. Feliz pelos Natais que passaram juntos. Feliz ao ver-se vestida num vestido bordado em azul e o seu paizinho do lado festejando com ela o nascimento do Menino DEUS. Feliz, especialmente, pelos bons amigos que fez e ainda hoje os mantêm ‘presos’ (e libertos) ao coração.


Quando adolescente, em muitas coisas ela era intuitiva. Sentia o ambiente, conseguia desvendar a atmosfera íntima que a circundava. Talvez pela solidão em que deixava envolver-se mesmo quando rodeada de pessoas. Talvez pela timidez que a impedia de doar-se mais. Era prazeroso, permitir-se estar com pessoas, com gentes, conviver. Em contrapartida, ficava feliz em captar as impressões que os outros lhe passavam naqueles momentos de descontração, de conversa jogada fora, sem compromisso algum. Em silêncio, ia aprendendo muito sobre o mundo e as pessoas.


Quando adulta (isso parece um palavrão, não?) tornou-se passageira. Embarca e desembarca pelos vagões da existência, sem sinceramente saber em que momento é realmente ela mesma. Passageira de si. Sonhadora eterna. Já esteve no topo. Chegou a tocar as estrelas. Nos entretantos da vida, caiu vertiginosamente. Arrastou-se pelo fundo do poço. Encontrou uma fresta de luz. Decidiu sair de lá. E como a força de vontade é cinqüenta por cento da solução, aproveitou toda a conspiração do Cosmos a seu favor. Emergiu, veio à tona. Está aí, na luta. Na procura incansável para se conhecer em todos os seus mistérios.


Feliz? Intuitiva? Sonhadora? Guerreira? Lutadora? O que ela é, afinal? Cesbron diz que a personalidade assemelha-se a um perfume de qualidade: quem o tem é o único que não o sente. É... quem sabe não seja isso? Ela é muitas. Ela tem vários lados. Ela tem várias faces. Faces essas que são sentidas por aqueles que a vêem nos espelhos pelos quais é refletida. Para ela, seus reflexos são ininteligíveis e impalpáveis, sobretudo porque seu coração bate de uma alegria incomensurável. A alegria de viver. A alegria de estar viva. A alegria de ter ainda muito o aprender. A alegria de somar amigos nessa caminhada. A alegria de ser uma incógnita.


Importa bem pouco procurar um nome para o que ela é. Importa menos ainda procurar as razões que a levaram a ser assim ou assado. O que pesa bastante é continuar seu caminho sendo uma e muitas. Não há o que entender. Ela é mutante. Caleidoscópica. Fascina pelas multiplicidades em que se faz mulher, mãe, educadora, amiga...


Passou pelos furacões. Foi atropelada pelas atribulações. ( E outras virão certamente.) A incúria do destino não foi mais poderosa que ela. Resistiu e resistirá. Porque cada um é aquilo que deseja ser, se assim o quer de todo o coração. Uma nova e doce melodia diz que ela é o exemplo do solo que se vingou da vida com as mais belas flores. As marcas cicatrizaram. Saiu indene sua risada extravagante, seu humor, sua alegria de viver, estar viva e colher o melhor néctar que a vida lhe oferece: amigos. Daqui. Dali. De lá. De acolá. De todos os cantos. Alguns, de imediato. Outros, a longo prazo. Amigos especiais que iluminam sua vida e a enchem de paz. Amigos que invadem a alma como chuva caindo em terra seca e fazendo brotar o renovo.


Não permitiu que o eixo do seu mundo girasse apenas em torno do preto e branco. Lançou mão de uma paleta de cores e deu luz à sua obra, que tinha em mente definir a cor de sua alma. Com seu cúmplice, o pincel, pintou-se de abstrato aquarelado. E, sua alma, teimosa, insiste em antagonizar as cores da sua sorte. Navega soberana entre o azul e vermelho.


No sol de cada manhã, desabrocha-se em cores. Em seu infinito particular, guarda seus valores. Só a eles, deve satisfação. Desconhece todos os seus limites e capacidades. Também não teme conhecê-los. Não importa seu nome. Seu coração está decorado. Todo iluminado. Pouco vale sua tez. Seu coração está em festa. Assim como sua alma. Ela não tem nome. Ela tem a cor da VIDA. É súdita de si. De sua majestade.



***


Pessoas queridas,


“Porque um jardim jamais está completo, até nos dias mais cinzentos, uma flor desponta para nos lembrar que uma nova estação repleta de cor e de aromas doces se avizinha. Mesmo quando o frio e a penumbra parecem ter vindo para ficar, o nosso jardim nunca dorme... e em breve, explodirá numa paleta de cores que quase nos faz desejar que permaneça assim para sempre, florido e exuberante. Talvez a maior lição que a Natureza nos ensina, é que a transformação é a única coisa que permanece.”



Desconheço o autor, mas o admiro pelas belas e perfeitas palavras. Não quero jamais que meu jardim esteja completo. Quero sempre a doce surpresa da transformação constante.


Beijos todos!!!


Karine Leão

11/08/2010

IDENTIDADE


Hoje, logo que acordei, depois de uma noite de muitos sonhos meio escabrosos, abri o "Maktub" e a mensagem do dia foi:


"Viva todas as graças que DEUS te deu hoje. A graça não pode ser economizada. Se você não usufruir estas bençãos, irá perdê-las irremediavelmente. A cada dia, o seu milagre. Aceite as bençãos, trabalhe, e crie suas pequenas obras de arte hoje. Amanhã você receberá mais."


Senti-me então, fortemente impelida a ver a vida pelo lado azul... o único "eu te amo" que realmente me importa, aquele que faz toda a diferença (do meu amado JR.) foi ouvido com sabor especial e seguido de um beijo deliciosamente aveludado. Minha alma sorriu feliz e prometi a mim mesmo que depois dessa benção especial, o dia seria tudo de bom!


Há algum tempo, acredito piamente que 2010 foi instituído como mais um ano de provação. Ok. Realmente é o que ainda me parece. Contudo e entretanto, me desculpem, gosto do jogo do contente e vejo que aprender pela dor, nem sempre é o pior caminho. E como tenho aprendido! Às vezes, aprendo rápido. Nem sempre é assim. Muitas vezes, o cursinho intensivo, não alcança seus objetivos e fico para a segunda chamada. Porém, quando a ficha cai, o tintinlar faz-me acordar para a vida.


Pensando dessa forma, levantei-me encorajada a usar o dia de hoje como aprendizagem. Arrumei-me com alegria. Olhei-me no espelho e o reflexo me orgulhou. Resolvi não abusar da maquiagem e só passar um lápis e um batom. Cara limpa. Praticamente.


Cheguei ao trabalho e senti-me útil. Sou importante. Uma peça essencial (como todas as outras) nesse grupo a que pertenço. Como profissional. Como pessoa. Tinha um compromisso. Ir com uma amiga ao fórum resolver uma "virgulazinha" no seu processo de divórcio. Interessante é que cada vez que fazemos algo para ajudar alguém, acabamos por ser ajudados também.


Sentadas, aguardando aquela velha conhecida burocracia e vai pra lá, vai pra cá da justiça brasileira, recordei-me dos meus dois sonhos profissionais: ser professora e advogada. Segundo minha amiga, realizei muito: sou diretora, inspetora, orientadora, supervisora, graduada e pós graduada... mas aos 35 anos, ainda há tempo para o Direito. Nesse momento, senti que tinha acabado de receber mais uma graça do dia. Depois de tudo assinado, já voltando ao trabalho, decidi que não vou abandonar esse sonho. Vou tentar o vestibular. Vou enfrentar o banco da faculdade mais uma vez.


Todos os dias morremos um pouquinho. Ora de forma lenta. Ora de forma foraz. E dessa mesma forma, morrem sonhos, amores, desejos. Não quero morrer agora. Nem que meus sonhos adormeçam comigo. Muito pelo contrário, quero sonhar sonhos novos. Quero viver novos amores. Quero saciar velhos desejos e encantar-me com novos.


Sou muito saudosista. Não nego. Em contrapartida, em algumas situações sou realista demais. Deitei-me cedo. Algumas preocupações povoavam minha mente e sobrecarregavam meu coração. Foi aí, que a madrugada me forçou a ligar o note book e escrever.


Segundo Dom Helder Câmara, "As pessoas são pesadas demais para serem levadas nos ombros, por isso devemos levá-las no coração." Tenho a péssima mania de somatizar os problemas de quem gosto. De me pré-ocupar com situações que não aconteceram ou que não me pertencem. Nesse pensamento, dei-me conta de que fui agraciada com outra benção. Não quero tornar-me egoísta a ponto de não me importar com as pessoas, mas sei que é preciso ser solidária, sem que os problemas alheios fiquem sobre meus ombros. De alguma forma, descobri que preciso cuidar mais de mim. Preciso dar mais atenção ao momento que vivo. Necessito passar por essa metamorfose sozinha. Preciso virar borboleta com minhas dores e meus prazeres. Só por mim.


Algumas pessoas são presenteadas com o amor. Dedicam-lhes o carinho, o companheirismo, o sorriso, o conforto da mão amiga. E, muito embora, tudo isso seja uma verdadeira graça, elas simplesmente descartam a possibilidade de sentirem-se amadas. Preferem o conforto de sentirem-se donas da situação. Assim, a vida segue e o amor, como os sonhos, morre letalmente.


Definida em uma única palavra, no último fim de semana por duas pessoas queridas: emoção, intensa. Sempre acreditei na amizade verdadeira, desinteressada. Ou melhor, interessada no bem do(a) amigo(a). Sempre acreditei no amor. Aquele do conto de fadas. Onde o príncipe é belo, inteligente, carinhoso e ainda por cima, companheiro. Chega no cavalo branco e num piscar de olhos os amantes são felizes para sempre. Sempre acreditei no poder transformador da educação. Sempre levei a sério e transformei minha realidade através dos meus sonhos.


Titubeio em dizer que amizade nem sempre é verdadeira, amor nem sempre é um conto de fadas, contudo a realidade sempre pode ser transformada através dos nossos desejos.


Até que ponto vale a pena insistir na amizade de alguém?


Até que ponto vale a pena querer um amor tão eterno?


Até que ponto vale a pena realizar sonhos?


A resposta é única e óbvia: ATÉ O PONTO EM QUE NÃO PERDEMOS A PRÓPRIA IDENTIDADE.
Peço a DEUS, que nas minhas buscas e sonhos, que eu não me perca. Que eu me transforme, mas que a essência Karine de ser, permaneça.
Quem gostar de mim, ótimo. Seguiremos juntos e tenho a mais plena certeza de que a história será feliz.
Quem não gostar, só lamento. Perdeu uma grande chance de conhecer uma mulher, mãe, amiga, irmã, profissional especial.
Por hoje é só...
Beijos meus!


02/08/2010

Sentir-se Amado... por Martha Medeiros


'O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.



Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.



Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.



A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?



Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.



Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".



Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."



Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.



Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo."