17/08/2010

Ponto K


Sou uma mulher de 35 anos... (quem ainda não sabe? Risos...) Sou intensa em tudo que faço e, especialmente, em tudo que sinto. E hoje, decidi falar sobre este espaço que já me concedeu tanto.

A decisão de ter um blog veio do acaso virtual. Vim para esse mundo através do convite do meu provedor. Não sabia direito o que era um blog e criei um. O Ponto K é meu terceiro blog, é uma versão nova, uma repaginada no antigo Espaço Ká. Além dele, também escrevi junto com amigos mafiosos e bons de escrita, três blog-novelas: A Mansão Shutz, O Reino de Lothian e a Teia Digital.

A princípio, postava mensagens de outros autores, todas devidamente creditadas. Aos poucos, fui perdendo o receio e comecei a postar textos meus, sobre o dia-a-dia, sobre a minha vida, sobre a faculdade, sobre os meus pensamentos, política, esporte...

Tudo isso começou a fazer um certo sucesso. Ganhei duas vezes o título de Blog LEGAL do UOL e no auge dos tempos áureos recebia 80 a 100 visitas diárias, visitava e comentava outros tantos blogs, o que era super difícil, apesar de imensamente prazeroso.

Através do diário virtual, vivi muita coisa, visitei países, culturas diversas, conheci inúmeras pessoas, aprendi a respeitar opiniões diferentes, aprendi que nem tudo é do jeito que eu penso e ainda assim é possível conviver na distinção, criei coragem para me indignar diante das injustiças, desabafar quando triste e gritar ao mundo as minhas verdades.

Aqui, falei da minha vida, dos meus medos, dos meus anseios, das minhas dificuldades, das minhas alegrias, dos meus sentimentos. Dividi com as pessoas sete anos de minha vida: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010. Alguns desses anos foram marcados intensamente pela dor da perda de pessoas queridas: 2004 e 2006, morreram minha cunhada e meu marido, respectivamente.

Por aqui, muitas pessoas puderam ver que não sei lidar com a separação. Viram meu desespero ao me ver separada do homem que mais amei na vida. Mas também perceberam o quanto cresci. O quanto amadureci. E quem sabe, poderão ver o quanto ainda tenho que aprender nessa insólita vida.

Nesse espaço, partilhei com vocês sete dos nove anos do meu filhote, meu lindo, minha vida, minha vontade de viver e a pessoinha que mais me ensina a carregar em mim o dom de SER capaz e SER feliz.

Abandonei o blog quando não me apetecia escrever ou quando estava muito feliz ou muito triste. Contudo, sempre voltei. Fiz deste espaço o meu reencontro comigo mesma. Lancei palavras, fiz auto terapia, descrevi meus amores e também minhas dores. Falei de algumas pessoas que me magoaram, falei de outras que me fizeram feliz, compartilhei meus ideais com a internet, divaguei por várias nuances, vivi a vida em preto em branco e pintei o mundo em várias cores, e, principalmente ,vibrei em azul e vermelho.

Descobri no Ponto que não sou dona da verdade. Até mesmo porque verdades absolutas são duvidosas. Aqui me vejo como sou. Uma pessoa. Um ser humano como outro qualquer. Repleta de qualidades. Cheia de defeitos. Alguém que não tem a pretensão de ser melhor do que ninguém. E definitivamente, alguém que também não é pior do que absolutamente ninguém. Ao passo que sou mais um coração batendo no mundo, sou também um cérebro que respeita o que não é igual.

Ganhei muito aqui. Ganhei amigos(as). Alguns são amigos até hoje. Conheci pessoas. Viajei. Conheci o Rio de Janeiro. Penedo. Rezende. Petrópolis. Três Rios. Paraíba do Sul. Itaipava. Três Corações. Taubaté. Aparecida. Juiz de Fora. Montes Claros. São José dos Campos. Campos do Jordão. Ubatuba...

Vi o CRISTO REDENTOR e emocionei-me com a beleza mágica da cidade maravilhosa... chorei de uma emoção ímpar aos pés de NOSSO SENHOR. Passeei pela Rodrigo de Freitas e vi o quanto a natureza nos coloca em contato com o Sagrado.

O blog me trouxe tudo isso. Vida. Amigos. Alegrias. Aprendizado. Reflexão. Auto-conhecimento. Por tudo isso, sou grata a este espaço abençoado.

Percebi no Ponto que, sem dúvidas, ninguém pode dar aquilo que não tem. Ninguém pode proporcionar felicidade ao outro se não se sentir feliz... se não experimentar a sensação de SER feliz. Os sentimentos não podem ser vistos com os olhos e nem tocados com as mãos. São essenciais e, portanto, invisíveis aos olhos.

Existem, hoje em dia, ainda muitas pessoas capazes de oferecer bons sentimentos que tratam-se de preciosidades e não existem preciosidades falsas. O que precisamos é aprender a senti-los com o coração, sem tentarmos, o tempo todo decifrar os sentimentos com nossa racionalidade, com a nossa capacidade de entendimento.

Os sentimentos são como sementes e a nossa alma é como um jardim, precisamos começar a plantar sentimentos dentro de nós, precisamos cultivá-los, alimentá-los e, sobretudo, observarmos o que temos plantado.

Meus pais plantaram amor em mim desde o momento em que desejaram minha concepção e eu nasci desse amor, sou esse amor e vivo porque amo, amo a vida, apesar de sofrida, apesar dos obstáculos e olha que não são poucos, quando menos espero sempre aparece uma pedra, uma situação que me desarma e abala completamente; amo minha família, exatamente do jeito que é, com seus defeitos, inclusive; amo meu trabalho, amo ser quem sou, consciente claramente que sou apenas mais uma pessoa nesse mundão de DEUS, uma pessoa que trabalha para realizar seus sonhos, uma pessoa que é uma eterna aprendiz.

Nem todo mundo tem que pensar como eu. Nem todo mundo que entra aqui e me lê anonimamente ou não, tem que comungar das minhas opiniões. Agora, sem exceções, todo mundo que entra aqui ou em qualquer outro blog deve respeitar. Discordar é normal, coerente e muito natural. É o que faz o mundo girar e as pessoas refletirem e mesmo, mudar de opinião.

Este espaço é democrático. recebe a todos de braços abertos. Leia. Só navegue. Leve a sério. Leve na brincadeira. Pense que tudo aqui é balela. Ache tudo ridículo. Identifique-se com alguma coisa. Não goste de nada. Comente. Não comente. Deixe sua apreciação. Positiva ou negativa. Saia sem falar nada. Enfim, faça aquilo que melhor lhe aprouver. Sinceramente, sua visita é bem vinda. Toda visita o é. Contudo e entretanto, te peço humildemente, não transforme o Ponto em ponto de discórdia.

O Ponto é uma extensão dos meus pensamentos. É o meu jeito de me defender de mim e do mundo. É a minha maneira de mostrar-me ou ocultar-me diante das adversidades. É onde brinco de escrever, deixo as letras correrem soltas, viajo em prosa, ora faço versos. É onde brindo à vida e à alegria e choro minhas tristezas. Enfim, só te peço respeito, pois acima de tudo, o Ponto é MINHA vida. E dela, quem deve gostar sou eu. Apenas eu.