13/05/2010

As cartas que eu não mando...


Ontem ouvi uma música do Leoni, me encantei por ela e dela veio a ideia (sem acento... já na nova regra de ortografia... pra quê mesmo???) de escrever cartas para Osmar... aos novatos(as), esquecidos(as) e desavisados(as) visitantes deste blog tristemente deixado de lado pela dona que lhes escreve no momento, Osmar foi meu marido, falecido em agosto de 2006, depois de quase 10 anos de casamento, cumplicidade, diferenças, amizade e tudo que está presente num matrimônio.


Pois é, depois da morte dele, já vivi de tudo... depressão severa, alegrias, vontade de desistir de tudo e de todos, inclusive de mim, inércia, euforia intensa, enfim, um turbilhão de sentimentos e emoções. Fico me perguntando: o que tem de anormal comigo? O tempo passa e nada muda... passo momentos bons, mas uma tristeza sem origem vive me atormentando sempre.


Descobri, enfim, que o problema é comigo. Eu entendo e aceito a morte. Sei que tudo passa, as coisas, emoções e também as pessoas. Mas não entendo o processo de vida em que me encontro e por que tudo me afeta de maneira sobrenatural e assombrosa. E é por isso, que resolvi escrever novamente. Na tentativa de achar meu rumo, meu norte.


Já que Osmar não baixa aqui e psicografa para mim... uma mensagem dizendo que está bem, num plano melhor que o meu... que entende os meus medos e ansiedades... lá vamos nós... psicografarei (neologismo... risos) a ele, eu mesma.


Curvelo, hoje é 13 do 5... ou treze de maio... dia da libertação dos escravos... dia da aparição de Nossa Senhora de Fátima... sugestivo, não? Quem sabe num dia especial como hoje, eu comece um processo de libertação interna decisivo em minha vida?



Querido Osmar,


Poxa... faz tanto tempo que não nos falamos, sinto falta da sua voz, do seu sorriso... de VOCÊ!!!


Como você está? O que tem feito por aí? Aliás, onde exatamente você está? Como é a sua vida nesse outro plano? Conte-me tudo, tenho muita curiosidade de saber como vão as coisas depois de nossa separação.


Você pode me ver daí? Pode ver o Júnior, nosso filho? São tantas as perguntas... quero muito saber suas respostas.


Bom, eu mudei um pouco ou muito, não estou muito certa do quanto... não sei se você soube... depois que você se foi, coloquei mega-hair no cabelo. Fiquei com um cabelão preto batendo lá na cintura. Mas madeixas negras foram colocadas com o objetivo de espantar a tristeza de sua ausência... sinceramente, pouco adiantou... mas elas me deixavam aparentemente mais segura. Fiquei com o aplique por quase dois anos... dava um trabalhão e como era caro a manutenção desisti deles.


Ah, engordei um pouco depois da sua morte... perdi praticamente a lipo que eu tinha feito em janeiro, lembra? Mas a plástica ficou quase perfeita... minha barriga é retinha, de dar inveja em muita gente... Acredita que até hoje ainda não retoquei a cicatriz? Lembra como tudo aconteceu? Qdo voltamos de BH, depois de minha cirurgia, a ponte da estrada tinha caído e os teimosos eu e você viemos de carro... dois pontos se soltaram... Bom, no frigir dos ovos... estou feliz com meu visual... já emagreci e hoje estou com o corpo legal... (claro que como mulher, sempre quero emagrecer dois ou três quilinhos a mais, né?)


Ano passado, cortei os cabelos... bem curtos... um corte moderninho... chanel na frente e todo curtinho e repicado atrás. Ah, não se assuste... mas descolori os cabelos... estou praticamente loira... lisa e linda... risos... Tem feito sucesso, todo mundo tem gostado muito do meu novo visual. Pelo menos na aparência, pareço feliz... exceto, naqueles momentos em que fica impossível disfarçar o meu humor.


Preciso falar do nosso filho. Osmar, ele está simplesmente lindo... tanto fisicamente como por dentro. É um menino muito bonito, inteligente, sapeca, educado... em alguns momentos demonstra uma certa tristeza com sua ausência... mas aí, eu viro palhaça e faço de tudo para vê-lo feliz. Tenho dito êxito nisso, graças a DEUS.


Júnior já está no quarto ano do ensino fundamental... calma, eu não o adiantei... é que a lei mudou um pouco por aqui. Agora o ensino fundamental tem 9 anos. Ele tem tirado sempre as melhores notas, se não é o total do bimestre é bem perto dele. Sinto muito orgulho dele nos estudos. Também é seu filho, né? Tinha que ser fera... bom na Matemática como você e apaixonado por Português, como eu.


Amor, ele é tão serelepe... conversa como adulto, mas não perdeu a infância... é moleque e agita esse apartamento! Tem horas que acho que ele é ligado a 220. Acredita que ele conseguiu quebrar um pedacinho do dente da frente? Risos... e não é mais o de leite... mas fique tranquilo, vou dar um jeito nisso, hoje tem jeito para tudo.


Nosso filho se parece muito com você! Tem sua boca e o seu nariz... dorme exatamente com você, com os lábios semi abertos e acho que vai roncar quando crescer... rsss Ele está enorme! Já mede 1,40 cm... e está pesando 35 quilos e calçando 32. Vai ficar grande nosso menino. Passaram-se quase 4 anos e ele está a cada dia mais e mais lindo. É o meu motivo para continuar vida e tudo que me faz sorrir hoje em dia.


Dei a ele um cachorro no fim do ano passado. Um poodle preto e branco. Lindo, chama-se Leão... mas infelizmente, decidimos que vamos dá-lo a tia Clemência, já que no apartamento tem sido muito difícil criá-lo. Ah... só para constar... Júnior torce pelo Cruzeiro... ficou fanático, claro que com a influência do Marcão e da Cleo. Risos... Falando nisso, Osmar, a Dani Dani, nossa afilhada está uma moça enorme, uns 15 centímetros mais alta do que eu... linda de viver, educada e pessoa muito querida. Acredita que já está pensando em namorar? É... o tempo passa mesmo.


Mamãe continua a mesma, Osmar... daquele jeitinho que você conheceu...continua adorando o seu forró e sair com as amigas. Ela, desde que você se foi, do jeito dela, tem estado mais próxima de nós. Isso é bom, né? Contudo, tenho me assustado, querido... ela deu uma envelhecida nos últimos tempos... tem esquecido algumas coisas... sinto tanto medo de perdê-la, sabe?


Bom... continuo com a escola. As coisas nem sempre são facéis... muito pelo contrário, ter uma empresa, ainda mais no setor de educação é uma dureza, lindo. Temos que seguir em frente, né? Ganhei mais 2 ou 3 prêmios educacionais... mas não foi a mesma coisa não ter você todo alinhado de terno e gravata do meu lado. Ah... fiz pós-graduação... tenho mais três habilitações no meu currículo: supervisão pedagógica, orientação educacional e inspeção escolar. Chique, né? Sinto muito orgulho quando consigo progredir, meu bem. É tão bom!


Então... preciso te contar algo... nem sei como fazer... melhor ir direto ao ponto. Depois que você se foi, achei que nunca mais ia ficar com mais ninguém... mas 2 anos depois conheci um rapaz... namoramos... foi tão difícil me ver com um outro alguém, sabia? É como se eu não tivesse o direito de tentar ser feliz sem você aqui. Esse rapaz é uma boa pessoa... mas infelizmente não demos certo. Acho que foi em parte culpa minha... eu intimamente o comparava demais contigo... sei que não foi legal, mas era inevitável. Se bem que ele era extremamente ciumento e possessivo, o que contribuiu em muito também para o nosso rompimento. Sinto-me melhor sem ele. Na verdade, só quero estar ao lado de alguém se for para viver, pelo menos, o mínimo da cumplicidade que havia entre nós dois.


Envolvi-me também com outra pessoa. Esse foi por pouco tempo. Em contrapartida, foi minha pior experiência até hoje. Eu fiz uma ideia dele e ele era o extremo oposto. Sem caráter, sem sentimentos, sem responsabilidade... enfim, uma pessoa tão pequena em termos de honestidade, de hombridade. É por causa dele que tenho sofrido muito. Na verdade, não sofro por amor, sofro por tudo que decorreu dessa relação meteórica. Vc consegue ver daí o quanto tenho chorado e tudo que EXATAMENTE ESTÁ ACONTECENDO? Não dá para contar tudo aqui no blog, mas estou numa situação muito difícil e delicada, queria muito que você soubesse disso. Queria saber se chego bem no fim de tudo isso. Tem horas que acho que não. Aí, DEUS me fortalece e acho que tudo vai ficar bem. Bom, deixa pra lá... que nem vale a pena continuar falando dele, sinto asco e nojo sempre que me lembro de que me empolguei com um ser tão baixo! Perdoe-me, Osmar. Sei que você não merecia que eu ousasse me envolver com alguém dessa estirpe! Perdão!


Enfim, hoje estou sozinha... antes só do que mal acompanhada, né?


Osmar, acredita que o inventário não saiu até hoje? Nossa, que droga, viu? Não imaginei que demorasse tanto assim! Apertei o advogado e parece que tudo deve se resolver até o próximo mês. Tenho tantas dúvidas. Não sei se construo no lote ou se vendo? O que você acha melhor? Recebi muitas propostas tentadoras... mas sei lá... pensei em construir uma casa para o Júnior com bastante espaço para ele correr e com um cantinho para que possa criar um cachorro que ele adora... O que eu faço?


Bem, vou terminar a carta por aqui. Por hoje chega, não? Já falei muito... aguardo uma resposta sua, mesmo que seja em sonho. Tente de alguma forma entrar em contato comigo. Ficaria imensamente feliz se isso acontecesse... você nem calcula... pode ser um sonho, uma carta psicografada... sei lá, não entendo muito bem como as coisas funcionam desse lado aí.


Fique com DEUS sempre. Saiba que eu o amo ainda e vou amá-lo para sempre. Contudo, não se preocupe, não quero mantê-lo preso aqui... sei que você deve alçar outros voos e seguir seu destino... mas acho que tudo que vivemos foi muito forte e sei que temos uma ligação incomum e duradoura e, que mesmo que sigamos por caminhos diferentes, temos um compromisso de amizade e carinho, né?
P.S.: Sei que tem muita coisa que não falei ainda... vou escrevendo aos poucos. Você vai ter notícias de todos e de tudo.
"Eu me revesti de saudades do que já não somos nós... guardo pra te dar, as cartas que eu não mando."


Beijão, meu Mar!!!


Com Karinho,


Sua Kázinha.


***


Pessoas,


Espero que vocês me entendam.


Saudades!


Beijo meu!


Ká



Ah, tentei colocar o vídeo da música aqui e não consegui... então fica o link e o pedido de ajuda para colocá-lo.

http://www.youtube.com/watch?v=p1OMsWxSNok

21/03/2010

Saudade do CÉU


Pessoas,


Ando estranha... sem reconhecer minha imagem perdida no espelho... ando procurando me encontrar, saber onde estão minhas verdades...


Ando perdida... sem direção, sem norte... presa entre versões e fatos...


Ando esquisita... com uma saudade enorme de um tempo bom que eu sei que não vivi aqui... um tempo em que tudo era diferente, ameno, suave e pleno.


É... sinto saudades do céu... de estar pertinho de DEUS e ser acolhida pelos braços dele, enquanto durmo serena.


"Não posso negar ... o meu coração tem saudades do céu...

Do brilho que nasce dos olhos de Deus

Lareiras de amor que aquecem meu ser."



Beijos muitos a todos e saudades!


Ká




"Há dias em que me levanto com uma estranha nostalgia... uma espécie de saudades do céu.


Nesse dia, o pão com margarina tem sabor de maná... o azul do infinito parece cintilar de forma diferente... o brilho do sol derrama sobre mim uma espécie de energia cósmica... a voz do jornaleiro é o grito de um anjo anunciando o apocalípse já...


Nesse dia, em especial, consigo viver ostentando as asas que ainda não tenho... permito-me ser doce, mansa, santa, terna e verdadeira... ouço, olhando nos olhos dos outros, e deixo que os outros me ouçam, até que os meus olhos falem por mim... ando a segunda milha e ofereço a outra face... piso os pés na terra, sem evitar a lama... como a garça passeia pelo pântano sem poluir as penas brancas, eu me permito afundar na lama, e ainda conservar a alva brancura de Deus...


Uso asas para agasalhar os que têm frio... removo a pedra da boca do poço e dou água aos famintos... bebo com eles, no mesmo vaso... troco receitas com a mulher samaritana... subo ao monte Moriá com Abraão... ouço a voz de Deus com Moisés... acompanho Davi e tomo dele a funda... atiro a pedra bem no meio da cara gorda de Golias...desço à casa do oleiro e aprecio o seu trabalho... acho tudo lindo... não tenho nenhum palpite apócrifo a oferecer... singro as águas de mar revolto com o barquinho da fé... atravesso para a outra banda do lago.... gasto meu pãozinho e o meu peixinho para alimentar a multidão... armo tendas para aqueles que ainda não encontraram casa...


Beijo o mendigo porque meu cheiro e o dele se confundem com o bom perfume de Cristo... falo ao cãozinho sabendo que "toda a criatura geme e chora, aguardando o dia da redenção"... aprecio a noite, porque tenho fé na manhã que vem...sorrio para a morte porque sei que ela não existe, para aqueles que estão em Cristo...


Ah, como me sinto poderosa no dia em que tenho saudades do céu... e, ao sentir tal poder, eu me confundo toda... já não sei se vivo eu, ou se Cristo vive em mim...


Bom seria viver assim para sempre... quando penso que consegui, que alcancei esse estágio privilegiado, essa zona limítrofe entre matéria e espírito, então, de repente, não mais que de repente, como num filme de horror, uma estranha força me puxa para baixo, para as regiões mais baixas da terra.


A aterrisagem é brusca, mas suave. Não chega a me machucar. Caio de joelhos, rosto no pó. E então me descubro nua, sem maná, sem o azul do céu, sem o brilho do sol, sem tendas e sem asas.


Olho e me vejo, não como sou, mas como estou... Então entendo, que embora meu espírito esteja pronto para subir, e minha alma tenha saudades do céu, ainda sou um ser da terra...ainda sou feita de carne, sangue e nervos... ainda preciso exercitar a elasticidade do corpo e a plasticidade da alma, que ora exerce os atributos da filiação divina, ora os atributos da natureza humana que grita, berra e esperneia.


Essa é a luta de cada dia. Essa é a grande batalha. E nela não há vencidos ou vencedores, apenas peregrinos pedindo passagem para a vida eterna. A vida aqui é um ensaio. Quando é que será para valer?"


Texto: Ana Maria Ribas

07/01/2010

Carpe Diem


Era preciso confessar que repentinamente, ela tinha acordado vendo tudo diferente... os dias que eram sempre iguais, num passe de mágica, amanheceram lilases...

Ela voltou e voltou, trazendo sonhos. No pensamento, a certeza de não precisava pagar um preço tão alto por acreditar que o amor era algo possível. Seu coração, enfim, despojara-se de tudo que o oprimia e estava aberto à visitação. Ah, e como isso era bom!

Cansara de mexer e mexer e se afundar em si mesma... estava na hora de deixar as amarguras de lado... aliás, passara da hora de mergulhar em outros universos, conhecer novos rostos. Já provara por tempo demais a dor, tanto a do passado mais antigo, como do passado recente.

Ocorreu-lhe que talvez para libertar-se verdadeiramente dos medos, fora preciso carregar por um tempo a mais, a cruz que lhe era imposta, afinal só assim é possível enxergar realmente a vida em tons reais, quando tomamos nossa cruz e fazemos dela, não um fardo, mas um aprendizado.

A vida não tem nada de marcada, tudo que se vive é consequência dos nossos atos e pensamentos. Porque ela quis viver numa prisão, lá ela viveu. Mais uma vez, foi vítima. Vítima de si mesma. Jamais da vida. E, por isso, perdera. Perdera tempo. Contudo, ganhara experiência. A vida sempre segue em frente, não há muito o que fazer, a não ser viver e viver. Carpe Diem. Sempre!

Não queria sorrir por disfarce, não queria fingir. Detestava fingir. Não queria falar só por falar. Queria ouvir e ser ouvida. Queria sentir que a vida pulsa no compasso do coração. Queria escutar as melodias dos sentimentos que já tinham sido revirados.

Precisava resolver seus conflitos internos. Isso faz crescer. Não queria reviver o passado mais. Queria entrar de cara e bocas no novo ano. Desvendar os mistérios reservados para o ano 10.

É... ela estava pronta. Pronta para se entregar sem reservas. Queria se misturar ao infinito de alguém. Necessitava sentir o vento na pele. O suor escorrendo pelo corpo inteiro. O sabor de estar de bem com a vida e VIVA! E até mesmo o gosto amargo da saudade e da distância.
Daria certo? Não sabia. Entretanto, se arriscaria. Queria estar plena novamente.

Lembrara-se de que disseram-lhe uma vez que o “amor é não é regra, é exceção. E que não surge na pressa, exige tempo. Costuma ser fruto da paciência, da repetição, da vontade de se rever e prestar atenção aos sentimentos do outro.”

Tudo bem. Regras existem para serem seguidas e até mesmo quebradas ( o que tornam os frutos ainda mais saborosos). Exceções são bem vindas, assim como os dissabores não são fáceis de serem enfrentados, alimentar-se de momentos inesquecíveis era essencial.

Na verdade, ela não estava a procura de viver “como quem só espera um novo amor”... havia sim, muitas coisas ainda pela vida a fora.

Enriquecer-se do amor maternal mais e mais. Amar sem medidas o fruto do amor mais lindo que ela carregara dentro de sim.

Realizações profissionais. Novos horizontes se abriam nessa área.

Também precisava averiguar coisas mal-resolvidas com pessoas que fizeram o ódio ser uma estranha forma de amar. (Isso pede um post à parte.) E essa forma de amar ela não queria mais. Definitivamente, não!

O amor também pode ser um jogo que deve ser bem jogado. Compartilhado. Respeitado. Jogado com lealdade. Ele começa do contrário. Daquilo que não existe na gente. E isso é simplesmente fascinante. Pensar nas possibilidades: das conversas com sal, dos olhares com pimenta, dos sorrisos com açúcar... humm... é doce e apaixonante nadar no mar dessas delícias.

Há, portanto, que se ressaltar um detalhe importantíssimo. É primordial ter consciência de que para mergulhar nesse mar é preciso ter o dom de eternizar momentos e amar sem aprisionar.

Por fim, é preciso acreditar que vale a pena estar VIVA! E ela sentia-se assim. Viva. Aberta aos sentimentos. Queria (e quer) plagiar o poeta e ser a pátria de alguém. Sem perder o norte. Sem perder o prumo. Carpe Diem! Sempre!

04/01/2010

Atropelos







A chuva fere o asfalto cansado de sofrer com as marcas da borracha... ele, o asfalto, agradece a graça do resfriamento.




Pedestres escondem-se dos grossos pingos sob as marquizes, equilibrando-se entre a água que caía do céu... um mar de sobrinhas formam um emaranhado, uma paleta multicor, dançando nas ruas centrais da capital mineira.




Lá nesse cenário incomum, reaparece “ela”...




Autista, maquiada, mascarada, doída, massacrada por sua consciência e refletindo sobre os últimos meses vividos.




A pergunta petulante que não sai de sua cabeça: “O que estou fazendo? O que necessariamente estou fazendo da minha VIDA???




A consciência cobrava-lhe sanidade. A saudade de quem partiu dóia-lhe na alma. O preço cobrado era muito, muito alto. Compensara viver?



A interrogação multiplicava-se na mente, remoendo, digerindo, ruminando e repensando inúmeras respostas que não satisfazia sua necessidade de entendimento.




A que ponto chegara sua vida? Seria ainda possível sofrer? Ela não teria sofrido tudo?
Não. Ninguém, ser vivente algum, enquanto respitar sofreu o suficiente enquanto existe vida.




Entre sinônimos, ela insistia em acertar... tropeçando nos antônimos, ela desanimava-se e até mesmo indignava-se diante de sua realidade.




Procurando resposta nas grandes filosofias, confundia-se cada vez mais.




Apelara enfim, para Miss Lispector: “o escuro da noite atropelava seu meio dia”, o dia que amanhecera laranja, trocava suas cores pelo cinza mórbido que perseguia suas palavras e até mesmo seu melhor sorriso...






***






E como diria o poeta: o boêmio voltou... eis-me, aqui de volta, pessoas. Ká 2010... a mesma de sempre... e a de sempre sem ser a mesma.






Questionando-me diante da vida e dos acontecimentos... despojada da hipocrisia que me cerca, vivendo e querendo sempre mais... e morrendo de vontade de voltar ao blog e dessa vez para ficar.






Quer um 2010 super 10?






Pois aí está uma receita para um Ano Feliz:






Tome 12 meses completos. Limpe-os cuidadosamente de toda a amargura, ódio e inveja. Corte cada mês em 28, 30, ou 31 pedaços diferentes, mas não cozinhe todos ao mesmo tempo.






Prepare um dia de cada vez com os seguintes ingredientes:






- Uma parte de fé



- Uma parte de paciência



- Uma parte de coragem



-Uma parte de trabalho






Junte a cada dia uma parte de esperança, de felicidade e amabilidade.






Misture bem, com uma parte de oração, uma parte de meditação e uma parte de entrega. Tempere com uma dose de bom espírito, uma pitada de alegria e um pouco de ação, e uma boa medida de humor.






Coloque tudo num recipiente de amor. Cozinhe bem, ao fogo de uma alegria radiante. Guarneça com um sorriso e sirva sem reserva.






Saúde e Paz, meus(minhas) amigos!






Beijos meus Karinhosos,






Ká

23/08/2009

Tempo Mágico


Primeiramente, agradeço a cada um(a) dos(as) amigos(as) que estiveram aqui no Ponto. É maravilhoso retornar e saber que sua vida, o que você escreve, o que você sente, o que você pensa, os seus problemas, as suas alegrias, as suas alienações, as suas divagações, os seus aprendizados, os seus erros, enfim... sua vida interessa a alguém.


Cada comentário foi recebido carinhosamente e a alegria de escrever se torna ainda maior com a presença de tanta gente bacana, do bem e especial. Valeu, pessoas queridas!


Assistindo TV, num dos raros momentos em que tenho tempo, me chamou a atenção o encerramento de um programa, não me lembro o canal. A apresentadora despediu-se lendo o texto abaixo. Fiquei encantada. Vim até a net, o encontrei e definitivamente me apaixonei por ele. Não achei a autoria, mas compactuo com cada uma das geniais palavras.


Aos 34 anos, completados no dia 03 de julho, vejo-me cada dia mais sem tempo para mediocridades, falsos(as) amigos(as), amores corruptos, interesses superfluos, quero mais é VIDA.
Já sofri, já chorei e sei que muitas lágrimas ainda estão por vim e por isso mesmo, quero viver intensamente os bons e os maus momentos perto de pessoas humanas verdadeiramente, ou que pelo menos, como eu, tentem a cada dia, mesmo errando, ser mais gente.


Compartilho-o com vocês, desejando a todos(as) uma semana de muita alegria, trabalho e sobretudo muita presença de DEUS no nosso coração.


Beijo Karinhoso,


Ká



Tempo Mágico


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.


Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de "confrontação", onde "tiramos fatos a limpo". Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.


Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos".


Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa... Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de DEUS.


Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.


O ESSENCIAL FAZ A VIDA VALER A PENA!!!

16/08/2009

Plante Flores...


Uma vez, ouvi ou li que é preciso aprender a plantar flores nos rancores. Para alguns, uma árdua tarefa, para outros, algo absolutamente normal. Para mim, algo inusitado que vem me apetecendo muito. Aliás, ultimamente, quando a vida me desagrada, apetece-me rir, apenas rir.


Aviso que não há nada preso em minha garganta, muito menos palavras guardadas ainda não ditas, nada de raiva contida, e menos ainda angústia latente em meu coração. Simplesmente, apeteceu-me vir aqui, no meu ponto, escrever livremente, sem pretensão alguma, a não ser deixar minhas idéias serem conduzidas através dos meus dedos no teclado do meu computador prestes a ser aposentado.


Enfim, muitas vezes, nossos olhos encontram-se frente a frente com coisas que o coração recusa-se a aceitar, mas o inevitável chega, toma seu lugar, senta-se numa cadeira em nossa frente e felizmente passamos a vida a limpo. Analisamos nossos valores, refletimos sobre o que eram “verdades” e filtramos novas realidades que se anunciam na vida cotidiana e assim o inabalável, implacável e indefectível fim sorri e a morte de algo acontece. Simples assim.


Morremos um pouco todo dia. Todos os dias morremos mortes variadas. Desfalecemos por perdas impensadas, choramos por aquilo que deixa de ser parte de nós, ficamos de luto por coisas tão banais pois não deixamos que nosso coração se acostume com o fim que sempre acontece.


É mister evidenciar em nossos mais íntimos sentimentos, a importância de aprendermos a plantar flores, aonde quer que seja, pelos amores ou pelas dores. São elas, as flores, que deixarão seu perfume, quando tudo mais chegar ao fim. Quando a tristeza estacionar em nossa porta, quando a alegria saltitar em nossa vida, quando um amigo deixar de existir, quando novos sorrisos pleitearem lugar em nosso mundo, quando um ente querido partir definitivamente, quando uma nova vida renascer a alegria em nosso viver... são as flores que perfumarão nosso caminho.


É... ou a gente aprende ou a gente aprende, não é mesmo? Como minha querida Clarice diria:

“Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.” Nenhum dos dois casos, vale a pena... a gente é o que é, e agradar por meramente agradar não tem valor algum.

“Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali.” Em momentos que a gente menos espera a gente verdadeiramente se encontra e isso é tão bom.

“Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.” O que é importante, permanece.

“Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!” Mesmo sujeita ao erro, é ele quem me dita a direção.

“Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!” Simplesmente Ká... sorrindo, emburrando, feliz ou chorando: sempre eu!

“Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.” Ainda não consigo ser falsa, o que sinto está sempre retratado no meu rosto. Quem sabe um dia eu seja política como a grande maioria.

“Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!” Ainda bem, não? Viva!!! Podemos nos transformar sempre!

“Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes. Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: - E daí? EU ADORO VOAR!”

Salve os voos! Salve meu retorno! Salve o alívio dos rancores! Salve o plantio de flores! Salve os bons ventos numa semana iluminada para todos nós!

Beijos meus!

Ká