15/04/2008

Re...descoberta

Desperta, sentiu-se segura para enfrentar o mundo. (Era preciso?)

Vestiu sua melhor roupa. Um vestido meia estação. Xadrez. Marrom e lilás. Cinto delineando a fina cintura. Cintura de Pilão, dizia sua mãe. Meia fina a lhe cobrir as pernas grossas. Sapatos de bico fino a deixavam mais elegante. Maquiou-se. Era bom que o mundo a visse de máscara, mesmo que fosse a do Avon. (Não entendo essa vontade de ser outra para o mundo).

Ototemo foi a fragância azul escolhida para perfumar aquele dia. Estava pronta. Despediu-se de si. Fechou a porta atrás. Trancou-a. Desceu as escadas. A máscara da elegância lhe dava novo vigor. Era capaz de enfrentar todos os dragões daquele dia.
Os olhares da rua lhe faziam bem. Sentia-se confiante. Em cima dos quase 15 centímetros que lhe separavam do chão, era rainha.

O som dos seus passos sedutores aproximou-se do carro. Entrou. Encontrou o CD que regeria o momento. “Déjà Vou- Pitty”, foi o escolhido. Sim, o timbre era perfeito. O som das batidas sem igual.

Nenhuma verdade a poderia machucar. (Não? E se lhe dissessem que não era amada, querida?) Nenhum motivo poderia corroer-lhe. (Nem mesmo a falta de amor?). Ficar só na vontade nem faria doer-lhe a alma. (A quem queria enganar?) Doutrina alguma a convenceria. (Talvez fosse esse o maior vazio de sua vida, a falta de Fé...) Nenhuma resposta a satisfazia. (Sim, isso era um fato. A procura era por respostas mais profundas.)
Nem mesmo o tédio a surpreendia mais. (Mentir para si mesmo não era o melhor remédio. Naqueles momentos em que estava frente ao espelho, o tédio se agigantava e lhe fazia chorar muito. E como ela chorava bonito. (É possível?).
Nenhum sentimento comovia seu coração gelado. (Pior cego é aquele que não quer ver. Havia sim, em algum lugar, sentimentos que lhe faziam bem.)

Os acordes melodiosos enchiam o carro. Passeavam por seus lábios. Qualquer um que a visse, a acharia forte. Sim, era preciso passar a idéia de fortaleza.(Por que?) Os outros simples mortais não podiam julgá-la humana. Não havia lei que a governasse nem razão que a guiasse. Ela estava exatamente onde queria estar. (Será?)

Algumas curvas depois, chegou ao destino. O trabalho, antes contagiante. Agora, só mais uma obrigação. Freou. Desligou o motor. Acionou o freio de mão. Olhou-se no retrovisor. Perfeita. Desceu do carro. A cena era cinematográfica. As pernas grossas atraíam olhares. Fez que não percebeu. Manteve-se em cima do salto. Na bolsa lilás pegou as chaves. Antes que pudesse abrir o portão, pingos de chuva molharam-lhe o rosto. Aquiesceu, obedientemente. Fazia algum tempo que a água fria não tocava seu corpo. Abriu os braços. Respirou o cheiro de terra molhada. A fina chuva era um verdadeiro dilúvio na alma. Olhou para a esquina. Correu até lá. Sentiu-se VIVA. Rodopiou na chuva, feliz!

Voltou ao portão e, dessa vez, o abriu. Trabalhou sem maquiagem durante todo aquele dia. Não tinha pressa nenhuma. Nem vergonha.
Pela primeira vez, não se incomodou com os olhares alheios. Era igual ao resto do mundo.

Um ser humano se (re)descobrindo.


Pessoas,

Estou amando voltar ao mundo blogueiro. Sentir a alegria de escrever, a ansiedade pelos comentários, a felicidade de fazer novos amigos e constatar que os velhos são muito queridos.

Entrem, se acomodem, sintam-se em casa... sempre!

Beijos meus! Hoje, azuis!

P.S.1: DIA 18 DE ABRIL, SE LIGA NESSA!








O link para participar é:


http://meiroca.com/2008/03/25/o-que-voce-faz-para-acabar-com-o-analfabetismo-no-brasil/


P.S.2: A CULTURA PEDE SOCORRO!

Precisamos divulgar o site do Ministério da Educação onde temos 732 obras disponibilizadas para leitura gratuita. O site está para ser desativado por falta de uso!

ACESSE E DIVULGUE: http://www.dominiopublico.gov.br/